Graças, porém, a Deus que em Cristo sempre nos conduz em triunfo, e por meio de nós difunde em todo lugar o cheiro do seu conhecimento. Colossenses 1:10

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sexta-feira, 26 de outubro de 2012

“FILHOS DA DESOBEDIÊNCIA”


 (Efésios 2:2) - Em que noutro tempo andastes segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos FILHOS DA DESOBEDIÊNCIA....


(Efésios 2.1-4 ler a Bíblia), revela uma razão por que o cristão deve ter grande com¬paixão e misericórdia dos que ainda vivem em ofensas e pecados.

1. Todo aquele que está SEM CRISTO é controlado pelo "príncipe das potestades do ar", a saber: Satanás.

A mente daquele que esta SEM CRISTO é obscurecida por Satanás, para que não veja a ver¬dade de Deus:

(2 Coríntios 4:3) - Mas, se ainda o nosso evangelho está encoberto, é naqueles que se perdem que está encoberto,

(2 Coríntios 4:4) - nos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus.

Tais pessoas estão es¬cravizadas pelo pecado e concupiscências da carne (v. 3;Lc4.18).

(Efésios 2:3) - Entre os quais todos nós também antes andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como os outros também.

(Lucas 4:18) - O Espírito do Senhor é sobre mim, Pois que me ungiu para evangelizar os pobres. Enviou-me a curar os quebrantados do coração,

2. A pessoa IRREGENERADA, por causa de sua condição espiritual não poderá compreender, nem aceitar a ver¬dade à parte da graça de Deus (Ler a Biblia. Tt 2.11-14).

(Efésios 2:5) - Estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos),

(Efésios 2:8) - Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus.

(1 Coríntios 1:18) - Porque a palavra da cruz é loucura para os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus.

3. O cristão deve ver a todos do ponto-de-vista bíbli¬co.

Quem vive na imoralidade e no orgulho deve ser alvo da nossa compaixão, por causa da sua escravidão ao pecado e a Satanás (ler a Bíblia. Ef. 2: 1-3; conforme Jo. 3;16).

4. A pessoa sem Cristo é responsável pelo seu peca¬do, pois Deus dá a cada ser humano uma medida de luz e graça, com a qual possa buscar a Deus e escapar da escravidão do pecado, mediante a fé em Cristo (Ler a Bíblia. Rm. 1:18-32; Rm. 2:1-6).

(João 1:9) - Ali estava a luz verdadeira, que ilumina a todo o homem que vem ao mundo.


CONCLUSÃO:

Cabe a Igreja alcançar evangelizando os “FILHOS DA DESOBEDIÊNCIA”.
 
Texto de: José Carlos Martinghi

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

NÃO SE DEIXE DOMINAR

"...mas eu não me deixarei dominar por nenhuma delas" (1Co 6.12b)
O apóstolo Paulo reconhece que "muitas coisas são lícitas" mas "não convém" para um cristão. Ele sabe que quando nos deixamos dominar por alguma força, externa ou interna, já não somos mais libertos, mas pessoas escravizadas.
Paulo afirma enfaticamente: "...mas eu não me deixarei dominar". Ele não pretende que sua vida seja dirigida por nenhuma força, ou sentimento, pois seu viver está centrado em Cristo. Espelhando-se, então, no exemplo de Paulo, tomemos o firme propósito de lutar contra aquelas forças interiores que, por sua própria natureza, tendem a crescer cada vez para tornarem-se "autônomas", ou seja, fugirem de nosso controle.
Quando isso acontece, perdemos, então, o centro, o equilíbrio, e eis-nos subjugados diante do poder cada vez maior desse "inimigo" interior. Com certeza há sentimentos e afetos que querem dominar nossas vidas, se assim permitirmos. Cabe então, aqui a pergunta: você domina seus sentimentos ou é dominado por eles?
 
Não se deixe dominar pela preguiça. Ela impede a realização daquilo que precisa ser feito. Ela sempre dá desculpas para não fazer. Ela não deixa que você progrida materialmente e na fé. Quem tem preguiça não lê, não ora, não estuda, não vai à igreja e acostuma-se com o estado em que vive.
 
Não se deixe dominar pela ira. Ela nos torna pessoas indóceis, e tira a beleza do homem e da mulher. A ira impede que o amor se manifeste, que o perdão seja dado. Ela provoca discussões, ela nos torna impacientes e estraga todas as coisas boas da vida que o Senhor nos dá.
 
Não se deixe dominar pelos maus pensamentos. A Bíblia nos ensina a ocuparmos a mente com pensamentos bons, agradáveis, que trazem alegria... (Fp 4.8). Os maus pensamentos trazem junto com eles os maus pressentimentos, como se algo ruim estivesse prestes a acontecer, e isso só traz ansiedade e preocupação. Não se deixe dominar por maus pensamentos. Faça como Jeremias e diga: "Quero trazer à memória o que me dá esperança".
 
Não se deixe dominar pelo passado. Não julgue o presente pelos acontecimentos passados. Não fique "desenterrando cadáveres" que são coisas que aconteceram há tanto tempo e você insiste sempre em mencioná-las quando devia esquece-las. Não fique lembrando o que lhe fizeram, o quanto você sofreu. Não seja como a mulher de Ló que transformou-se numa estátua por insistir em olhar para trás. Faça como Paulo: deixe as coisas que para trás ficam e caminhe para a frente (Fp 3.13).
 
Não se deixe dominar pelo medo. O medo paralisa, o medo traz dúvida e indecisão. O medo faz com que você viva acuado como um gato no canto da parede e ataca tudo o que vê pela frente. O medo vê coisas na imaginação e "inventa" o que não existe. O medo faz com que você veja o diabo em todo o lugar e Deus em nenhum lugar. João ensina como extinguir o medo: "o perfeito amor lança fora o medo, pois quem ama não teme" (1Jo4.18)
 
Não se deixe dominar pelas preocupações. Há pessoas que não conseguem esquecer os problemas. Pensa neles quando dorme e quando levanta. Durante todo o dia sua mente não consegue libertar-se dos seus motivos de preocupação: os filhos, o marido, o aluguel, a saúde... Essa é uma prisão terrível que nos faz crentes tristes. Não se deixe dominar pelas preocupações, pois Jesus falou que não adianta mesmo! Deus sabe de todas as coisas, sabe de tudo que necessitamos antes mesmo de pedirmos. Livrar-se das preocupações é uma prova de confiança nesse Deus amoroso.
 
Não se deixe dominar pela tristeza. Ela vai chegando devagarzinho, vai se alojando lá no canto do coração. Primeiro é uma decepção na igreja, depois vem uma incompatibilidade amorosa, depois a incompreensão dos familiares... É muito fácil acumular tristeza, afinal "um abismo chama outro abismo". O próprio Paulo diz que Deus se compadeceu dele "para que não tivesse tristeza sobre tristeza" (Fp 2.27).
 
Não se deixe dominar. Lute. Não se deixe dominar. Você vai vencer.

domingo, 7 de outubro de 2012

Lições em Atos dos Apóstolos - Parte 5

A narrativa teológica e apologética do livro de Atos
Sempre exato e preciso em suas informações, Lucas divide sua narrativa em episódios rigorosamente encadeados, objetivando mostrar o avanço sistemático e logístico da Igreja de Cristo, embora pareça que esta, logo no início, haja se expandido de maneira espontânea.


Como bom teólogo que era, Lucas vai apresentando provas e evidências que dão foro às doutrinas cristãs. Nisto, destaca-se ele também como um dos maiores apologistas das Sagradas Escrituras.

Sua pneumatologia, por exemplo, apesar de não sistematizada, é mais do que desenvolvida. Apresenta o Espírito Santo não como uma força impessoal, mas como a Terceira Pessoa da Santíssima Trindade. No que tange ao batismo com o Espírito Santo, Lucas prova, em três distintas ocasiões, que o fenômeno observado em Atos capítulo dois é de fato acompanhado pela evidência física do falar noutras línguas (At 2.4; 10.44-47; At 19.6). O mesmo se dá com as demais doutrinas. E a sua cristologia? Quer diante da comunidade judaica, quer diante da grega, ele mostra, através da ação dos santos apóstolos, que Jesus era e é verdadeiro homem e verdadeiro Deus.

Assim podemos dividir os Atos dos Apóstolos: eventos pré-pentecostais, eventos pentecostais, a expansão da Igreja em Jerusalém, na Judéia e Samaria e entre os gentios.
 

Eventos pré-pentecostais
Dois foram os principais eventos que precederam a efusão do Espírito Santo no Pentecostes: a ascensão de Nosso Senhor e a eleição de Matias para ocupar o lugar menosprezado por Judas Iscariotes. Não podemos olvidar da Comissão Missionária que Jesus Cristo confiou aos seus discípulos.

1. A comissão missionária. Antes de ascender aos céus o Senhor Jesus deixa aos seus discípulos duas recomendações. Em primeiro lugar, não deveriam eles se preocupar com o eventual advento do império de Israel que, na época de Salomão, alcançou a sua maior expressão política, econômica e social. Deveriam eles, agora, ater-se à expansão do Reino de Deus. Após a efusão do Espírito, começariam eles por Jerusalém, percorreriam toda a Judéia e Samaria até que viessem a alcançar os confins da terra.

A recomendação do Senhor Jesus era mais do que clara; era explícita: “Respondeu-lhes: Não vos compete conhecer tempos ou épocas que o Pai reservou pela sua exclusiva autoridade; mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra” (At 1.7,8).

Essa ordem do Cristo justifica toda a narrativa do livro. Os Atos dos Apóstolos existem porque o Senhor Jesus determinou aos discípulos permanecerem em Jerusalém até que, do alto, fossem revestidos do poder de Deus. Batizados já com o Espírito Santo, não permaneceriam inertes, contemplativos. Mas, começando de Jerusalém, alcançariam os longes desta terra que nos deu o Senhor. Os Atos dos Apóstolos, por conseguinte, existem porque os discípulos obedeceram ao mandato do Cristo. É o que justifica a existência do livro.

2. Ascensão de Cristo. A subida do Cristo ressurreto e glorioso ao céu, não foi um engenho mitológico criado por Lucas, mas um fato histórico testemunhado por centenas de pessoas (At 1.15; 1 Co 15.6).

A ascensão do Senhor tem de ser vista também de duas perspectivas doutrinárias: paracletológica (At 1.4,5) e escatológica (At 10.11). Ou seja: a efusão do Espírito Santo, que se deu no Dia de Pentecostes (At 2) e a parousia que se dará a qualquer momento, conforme garantem as mesmas Escrituras.

3. A eleição de Matias. A eleição de Matias para ocupar o posto desprezado por Judas Iscariotes é o segundo evento pré-pentecostal mais importante registrado por Lucas (At 1.12-26).

A escolha do substituto de Judas tem de ser encarada como um capítulo importantíssimo da História da Igreja Cristã. Além do mais, foi o próprio Espírito Santo quem constrangeu a Pedro a presidir a reunião que culminou com a escolha de Matias. A Igreja não poderia ser inaugurada com o colégio apostólico incompleto.

Autor: Pastor Claudionor Andrade
Fonte: EstudosGospel.Com.br |
 

Lições em Atos dos Apóstolos - Parte 4

Sobre o primeiro leitor de Atos

Lucas endereçou tanto o seu evangelho como os Atos dos Apóstolos a um nobre romano, de ascendência grega, conhecido simplesmente como Teófilo. Em grego, este nome significa aquele que ama a Deus. Acerca desse personagem, temos várias hipóteses.

1. Um novo convertido. Do prólogo do Evangelho de Lucas, logo depreendemos: Teófilo, de fato, era um homem nobre e de elevada posição social. Haja vista que Lucas usa um vocativo mui próprio às autoridades: “excelentíssimo Teófilo” (Lc 1.3).

Já em Atos, Teófilo é tratado não como autoridade, mas como alguém bem próximo de Lucas: “ó, Teófilo” (At 1.1). O que se conclui de ambas as passagens? Teófilo veio a converter-se com a leitura do Evangelho de Lucas e, agora, já parte do corpo místico de Cristo, lê os Atos dos Apóstolos, a fim de se inteirar de tudo o que o Espírito Santo estava fazendo na Igreja e através da Igreja.

Que exemplo deixa-nos Lucas. Para ganhar uma única alma, escreve todo um evangelho, narrando tudo o que Jesus fez e expondo de forma sistemática tudo o que o Mestre ensinou. Nesse empreendimento, não poupou estilo nem arte. Por que não agimos com esse mesmo amor? Quantas pessoas não poderíamos nós ganhar para Cristo com uma única carta? Ou com um singelo bilhetinho? Ou ainda com um e-mail que não nos furtaria nem dois minutos? Sim, dois minutos que irão proporcionar a um amigo, irmão ou vizinho, toda uma eternidade ao lado de Cristo.

2. O financiador da obra. Nos tempos bíblicos não eram poucos os mecenas. Aqueles homens ricos e mui abastados que, amantes das artes, resolviam subsidiar um escritor, um pintor ou um escultor. Por isso supõem alguns estudiosos ter sido Teófilo um desses financiadores. Sabendo dos pendores literários de Lucas e de seu projeto em reconstituir a vida, ministério e paixão de Nosso Senhor, achou por bem subsidiá-lo. Mais adiante, Lucas brinda-o com o relato da expansão da Igreja de Cristo no poder do Espírito Santo.

Esta hipótese, porém, não resiste a uma análise mais aprofunda e sistemática.

3. A comunidade cristã primitiva. Alguns acham que Teófilo não passa de um emblema da comunidade cristã primitiva. Logo que o seu nome significa, em grego, aquele que ama a Deus, dizem que tanto o terceiro evangelho, como os Atos dos Apóstolos, foram destinados a todos os que receberam a Cristo Jesus como seu bastante salvador e, agora, dedicam-lhe um amor que se acha acima de todos os amores.

Apesar da piedade desta teoria, ela também não resiste a uma pesquisa mais consistente. Na verdade, era Teófilo alguém das relações pessoais de Lucas. Alguém que veio a converter-se com a leitura das obras desse escritor tão genial que foi o médico amado.
 

Autor: Pr. Claudionor de Andrade
Fonte: EstudosGospel.Com.BR
 

Lições em Atos dos Apóstolos - Parte 3

Onde e quando foi escrito Atos dos Apóstolos

As evidências internas de Atos dos Apóstolos levam-nos a concluir que tenha Lucas escrito o livro por volta do ano 61. Paulo ainda vivia quando o autor encerrou a obra e, logo em seguida, remeteu-a ao excelentíssimo Teófilo. Somos obrigados a supor que ele encontrava-se em Roma assistindo o apóstolo em sua prisão domiciliar.

Mas, antes de entrarmos a fazer tais considerações, vejamos o tema do livro de Atos.

1) Tema - Podemos resumir assim o tema central dos Atos dos Apóstolos: A expansão triunfal do Evangelho de Cristo através da Igreja no poder do Espírito Santo.

Por intermédio das atuações evangelizadoras dos apóstolos, aprendemos como a fazer missões nacionais e transculturais. Em sua narrativa missio-teológica, Lucas conscientiza-nos a  prosseguir a evangelizar povos e nações até aos confins da terra sem impedimento algum.

2) De Roma para o mundo - Capital do Império, avultava-se Roma como a mais luxuriante das cidades. Nessa época, quem imperava era o perverso, sanguinário e bestificado Nero. Um deus sem divindade era esse imperador. Embora tratado de senhor por todos os seus súditos, de seus vícios fazia-se escravo.

Deuses e homens confundiam-se pelas ruas, praças e demais logradouros de Roma. Aqui estavam os mais ilustres poetas, os mais requisitados oradores, os mais destacados militares e os cientistas que, herdeiros dos gregos, versavam sobre as últimas descobertas. Em uníssono, todos não se ocupavam a não ser de ouvir as novidades que chegavam das províncias com aqueles barcos e navios que aportavam nas sempre belas costas italianas.

Entre tanta gente ilustre e assinalada, achava-se o Dr. Lucas. Nalgum lugar bem periférico de Roma, quem sabe, redigia os atos daqueles apóstolos que, de Jerusalém e de Antioquia, navegaram por ondas tão bravias e irreconciliáveis, espalhando em cada litoral do Mediterrâneo, a boa semente do Evangelho de Cristo.

3) Data da composição do livro - Se os Atos dos Apóstolos tivessem sido escritos após a execução de Paulo pelas autoridades romanas, certamente Lucas, excelente historiador que era, teria feito menção ao fato. Aceita-se geralmente que Paulo foi executado no ano 64. Logo, Atos foi composto entre 61 e 63. O ano 61 está mais de acordo com os acontecimentos que se deram logo após a prisão do apóstolo em Roma. Teria ele realizado o seu intento de visitar a Espanha? (Rm 15.14,28).

Por conseguinte, os Atos dos Apóstolos também foram escritos antes da queda de Jerusalém que se deu no ano 70.

 Autor: Pr. Claudionor de Andrade
Fonte: EstudosGospel.Com.BR

Lições em Atos dos Apóstolos - Parte 2

Lucas, o médico amado e grande historiador da Igreja Primitiva

Não temos muitas informações acerca do autor de Atos dos Apóstolos. Sabemos apenas tratar-se de um homem singularmente culto e possuidor de um estilo literário de impressionante grandeza. Lendo-lhe o prólogo do terceiro evangelho, apreendemos de imediato a imparidade de seu engenho e a peregrinação de sua arte (Lc 1.1-4).

Pelo que depreendemos de suas obras, veio ele a converter-se depois da ascensão do Senhor Jesus. Mas, a partir da segunda viagem missionária de Paulo, ei-lo a participar ativamente da evangelização das gentes, pois destas era filho.

1) Um autor gentio a serviço do Rei dos judeus - Um artista da palavra que realçou a precisão. Basta ler a Epístola de Paulo aos Colossenses para se concluir ter sido Lucas um gentio de ascendência cultural grega (Cl 4.1-14). É possível fosse ele também cidadão romano.

Por conseguinte, Lucas é o único autor não hebreu das Sagradas Escrituras. Através de sua pena, sempre bela e terça, o Evangelho universaliza-se naquelas comunidades gregas, romanas e bárbaras que iam, pouco a pouco, sucumbindo à mensagem poderosa da cruz enunciada pelo apóstolo Paulo de Antioquia até Roma.

2) Um historiador que teologizou o avanço da Igreja - Quem não se encanta com os relatos de Heródoto? Filho do quinto século antes de Cristo, é ele alcunhado de o Pai da História. Pois fugindo ao mito e evitando os redimensionamentos de Homero e Hesíodo, buscou mostrar os gregos como estes realmente eram: seres humanos sujeitos às fraquezas, mas capazes de inacreditáveis façanhas. Apesar de todo o seu esforço, Heródoto não conseguiu evitar as hipérboles. Lucas, porém, lograria o que não alcançara o seu ilustre compatriota. Nos Atos dos Apóstolos, mostra o sobrenatural da operação do Espírito Santo na vida de homens naturalmente frágeis e limitados.

Fez Lucas, em seu evangelho, um relato fidedigno e metódico de “todas as coisas que Jesus começou a fazer e a ensinar até ao dia em que, depois de haver dado mandamentos por intermédio do Espírito Santo aos apóstolos que escolhera, foi elevado às alturas” (At 1.1-2). Já em Atos dos Apóstolos, pôs-se ele a narrar a expansão da Igreja de Cristo. Neste livro, a propósito, Lucas  participa não somente como autor, mas também como o personagem que, de forma modesta, oculta-se nas famosas seções do pronome da 1ª pessoa do plural (At 20.6, 8, 13,15; 21.16; 27.8 etc).

3) Um artista da palavra - Há historiadores que se contentam em reconstituir o passado, registrar o presente e futurar o porvir. Todavia, não se preocupam com o estilo. Poucos são os que, à semelhança de Alexandre Herculano, Oliveira Martins e Winston Churchill, fazem da historiografia uma obra de arte. Lucas pertencia a este seleto grupo. Tanto em seu evangelho como em Atos, vai ele não somente trabalhando, como também lapidando o texto. E de tal forma o lapida, que temos a impressão de estar diante de uma pedra de peregrino valor.

Em sua pena, o koinê ganha os mesmos contornos que a linguagem clássica cunhou na poesia de Homero, no teatro de Sófocles, na oratória de Demóstenes e nos diálogos de Platão. Lucas é um escritor por excelência. Mas não permitia que a beleza do texto empanasse a verdade dos fatos que, desde a ascensão de Nosso Senhor, se iam sucedendo na Igreja e através da Igreja, até a prisão de Paulo.

4) Um médico que compreendeu a verdadeira dimensão da fé - Lucas é o maior exemplo de que a verdadeira ciência pode conviver harmonicamente com a religião do Único e Verdadeiro Deus. Médico formado com todos os rigores acadêmicos da época, ele sabia como viver em harmonia com a natureza que nos deixou o Criador e não tinha dificuldade alguma em conviver com o sobrenatural e com os milagres que o Senhor opera no âmbito de sua obra. Se por um lado, deleitava-se em curar os enfermos que encontrava durante as incursões missionárias de que tomou parte; por outro, não lhe causava nenhuma estranheza quando Paulo impunha as mãos sobre os doentes e os curava das mais estranhas e malignas moléstias.

Nesse tempo, a medicina era bastante desenvolvida entre os gregos e os romanos. A escritora canadense Taylor Caldwell ao romancear a vida de Lucas, revela que os médicos formados nas academias gregas achavam-se habilitados, inclusive, a fazer operações plásticas. Aliás, no tempo dos macabeus, não eram poucos os israelitas que, na ânsia de se helenizarem, recorriam a procedimentos que lhes disfarçavam o sinal da circuncisão.

O ambiente que Lucas frequentou, antes de converter-se a Cristo, era academicamente sofisticado. A ciência ali era levada a sério. Sem eles, não teriam nossos cientistas alcançando tanto êxito. Entre os gigantes daquela época, achava-se o evangelista Lucas.

Lucas não era apenas médico. Conheciam-no todos como o médico amado (Cl 4.14). Seguindo certamente as recomendações de Hipócrates, o pai da medicina, tudo fazia para que os seus pacientes vissem-no também como um amigo. Num consultório do Rio de Janeiro, tive a impressão de que o Dr. Lucas lá estivesse. Pois um quadro trazia uma confissão simples, mas profundamente filosófica e ética: “Fui procurar um médico; achei um amigo. Eis aí o princípio de minha cura”. Como necessitamos de médicos que, à semelhança de Lucas, se dediquem aos doentes sem fazer das doenças uma fonte de renda.

Quando de meu transplante hepático, encontrei vários médicos e enfermeiros que procuravam, em suas limitações, imitar o médico amado. No Hospital Geral de Bonsucesso, no Rio de Janeiro, havia muitos discípulos de Lucas. E lá também estava o Médico que não somente nos emprestava a sua amizade, mas que nos garante a vida: Jesus Cristo, a quem Lucas anunciava quando exercia amorosamente a medicina.

Deveria Lucas, por conseguinte, ser o patrono não somente dos médicos, mas de todos os que se aplicam à ciência. Na prática, ele demonstrou que o cientista realmente sábio não encontra fronteiras entre a ciência e a religião; sua fronteira é o amor que consagra àquele que é a fonte de todo conhecimento e sabedoria.

5) Um missionário que não se limitou a escrever a história - Lucas é conhecido como médico e evangelista. No entanto, era ele também um missionário. Integrante da equipe de Paulo, andejou as vias romanas, singrou mares, enfrentou naufrágios. E em Roma prestou a necessária assistência ao apóstolo, a fim de que este não se visse de todo desamparado. Num momento de consolo, o doutor dos gentios mostra o quanto Lucas lhe é leal: “Somente Lucas está comigo” (2 Tm 4.11).

Não seria exagero se Lucas recebesse de igual modo o título de apóstolo, pois como apóstolo acompanhou Paulo em três de suas quatro viagens missionárias. Como apóstolo, escondeu-se ele na majestade da segunda pessoa do plural, a fim de singularizar o Senhor Jesus Cristo.

Autor: Pr. Claudionor de Andrade
Fonte: EstudosGospel.Com.BR |

Lições em Atos dos Apóstolos - Parte 1

Atos: histórico, teológico, apologético e missiológico

O livro de Atos dos Apóstolos é uma obra histórica, teológica, apologética e missiológica. Se não, vejamos.

1) Histórico - O objetivo de Lucas, em Atos dos Apóstolos, é historiar os eventos que se sucederam na Igreja e através da Igreja, destacando sempre a Igreja de Cristo como a agência por excelência do Reino de Deus. Seu relato vai da ascensão de Jesus, no Monte das Oliveiras, até à prisão domiciliar de Paulo, em Roma. O autor revela, de maneira bem clara o seu objetivo:
Escrevi o primeiro livro, ó Teófilo, relatando todas as coisas que Jesus começou a fazer e a ensinar até ao dia em que, depois de haver dado mandamentos por intermédio do Espírito Santo aos apóstolos que escolhera, foi elevado às alturas. A estes também, depois de ter padecido, se apresentou vivo, com muitas provas incontestáveis, aparecendo-lhes durante quarenta dias e falando das coisas concernentes ao reino de Deus. E, comendo com eles, determinou-lhes que não se ausentassem de Jerusalém, mas que esperassem a promessa do Pai, a qual, disse ele, de mim ouvistes. Porque João, na verdade, batizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo, não muito depois destes dias. Então, os que estavam reunidos lhe perguntaram: Senhor, será este o tempo em que restaures o reino a Israel? Respondeu-lhes: Não vos compete conhecer tempos ou épocas que o Pai reservou pela sua exclusiva autoridade; mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra” (At 1.1-8).

A historiografia lucana é científica. Fruto de ampla pesquisa, revela-se metódica e expõe-se sistemática. Ele jamais se contentou com fontes que não fossem primárias. Além de escrever a história da Igreja Primitiva, desta mesma história participou. Ele oculta-se na majestade da segunda pessoa do plural, para revelar a singularidade da pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo na vida de seus apóstolos e evangelistas.

2) Teológico - Ao fazer história, Lucas dá-se a conhecer como grande e sublimado teólogo. A teologia vai aparecendo em sua obra de forma progressiva, observando sempre o ritmo de sua narrativa. Assim, realça ele o Reino de Deus através da Igreja no poder do Espírito Santo. Não era a sua intenção elaborar um tratado teológico. Mas, ao narrar as ações dos apóstolos do Cristo, fez-se teólogo. Como dissociar a História Sagrada da teologia bíblica e cristocêntrica?

3) Apologético - Os Atos dos Apóstolos são também um livro apologético. Em primeiro lugar, os discípulos de Jesus defenderam as verdades cristãs diante das autoridades judaicas que, de forma blasfema e arbitrária, tudo fizeram por matar a Igreja em seu nascedouro. Tendo em vista tal ameaça, o Espírito Santo instrumentalizou a Pedro e a João como os dois primeiros apologetas da Igreja (At 4.1-30). Em seguida, levanta o diácono Estevão que apresenta, diante dos mesmos potentados, uma brilhantíssima apologia de Nosso Senhor Jesus Cristo como o Cristo profetizado no Antigo Testamento (At 7).

Doutor dos gentios, o apóstolo Paulo faz seguidas defesas do Cristianismo diante dos gentios, realçando duas grandes doutrinas: o monoteísmo e a soteriologia cristológica. Haja vista o seu discurso no Areópago diante dos filósofos estóicos e epicureus (At 17.1-30). Esse pronunciamento pode ser considerado o mais perfeito enunciado do verdadeiro conhecimento de Deus.

4) Missiológico - Apesar de missionário, os Atos dos Apóstolos não são um tratado missiológico. Lucas, porém, ao narrar os primeiros empreendimentos evangelizadores da Igreja Cristã, deixa bem patente que aquela geração de crentes tinha em si, já bastante cristalizada, uma teologia de missões. Evangelizar, para eles, não era apenas uma demanda teológica, mas uma questão de obediência ao Senhor ressurreto e assunto.

Os cristãos primitivos não faziam distinção entre missões nacionais e estrangeiras. Tendo diante de si a Grande Comissão que nos confiou o Cristo, puseram-se a proclamar ousadamente o Evangelho em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria. Ignorando fronteiras, quer étnicas, quer culturais, chegaram aos extremos do mundo até então geografado.

Para os cristãos de Atos dos Apóstolos, a missiologia não se acomodava no âmbito da teoria, mas dinamizava-se numa prática que levava a Igreja a forçar as portas do inferno através da proclamação do Evangelho de Cristo.

Autor: Pr. Claudionor de Andrade
 Fonte: EstudosGospel.Com.BR

Coração humilde

Uma reflexão baseada em Tiago 4.6-10 e 1 Samuel 17 As pessoas de coração humilde têm um lugar especial no coração de Deus.

 O próprio mestre disse: “Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus” (Mateus 5.3). Em Tiago 4.6-10, o apóstolo estabelece uma relação entre a humildade, a sujeição a Deus e a resistência ao nosso inimigo.

 De fato, só podemos nos sujeitar a Deus se formos humildes, e só podemos resistir ao diabo se tivermos humildade suficiente para identificarmos, em nós mesmos, os reflexos das setas que nos foram lançadas por ele.

Ainda no texto de Tiago, é dito que “Deus dá graça aos humildes”. Mas que graça seria esta? A graça que Deus nos concede é a força para, nos sujeitando a Ele, resistirmos ao inimigo de nossas almas. É graça para, nos chegando a Ele, termos sua presença conosco. É graça para sermos purificados, termos nossos corações limpos, e termos o bálsamo curador derramado sobre nossos corações. Para isto, precisamos primeiramente nos humilhar diante do Senhor.

Quando nos sujeitamos a Ele, podemos resistir ao diabo. E resistir não é fugir. Resistir não é ficar inerte, em apatia. Resistir é se opor, se posicionar contra, avançar em vitória. E não conseguimos nos posicionar contra nada se não reconhecermos que precisamos fazer isso.

É aí que entra a humildade. É necessário um coração humilde para reconhecermos nossas próprias falhas, dificuldades e lutas – seja diante de Deus, de outras pessoas ou de nós mesmos. A nossa tendência como seres humanos, é negarmos, minimizarmos, ocultarmos, escondermos, manipularmos, tentarmos resolver da nossa forma, ou mesmo avançarmos, porém na nossa própria força. Essas são atitudes de um coração que ainda não está andando em plena humildade.

No capítulo 17 de 1 Samuel lemos acerca da história do desafio do gigante Golias ao povo de Israel, e como o então jovem Davi, cheio do Senhor, obteve a vitória. Dentro do contexto desta breve meditação, não podemos deixar de notar um detalhe muito interessante, que nos mostra que, quando não nos posicionamos e não resistimos ao inimigo, ele avança em nossa direção.

 Vejamos: A atitude nossa de cada dia “Golias parou e clamou às tropas de Israel e lhes disse: escolhei dentre vós um homem que desça contra mim”. (1 Samuel 17:8. Grifo meu) Este era o desafio diário que Golias, representando o exército dos filisteus, fazia contra o exército de Israel. Este desafio durou quarenta dias, quando então Davi se apresentou. A propósito, Davi fora ungido por Deus mediante o profeta Samuel, pouco tempo antes desse ocorrido. Ele, Davi, tinha um coração humilde (1 Samuel 16:7).

 Antes, porém, do desfecho desta conhecida história, a Bíblia nos diz o seguinte: “Os israelitas, vendo Golias, fugiam dele, temiam grandemente, e diziam uns aos outros: vistes aquele homem que subiu? Pois subiu para afrontar Israel”. (Grifo meu) Observe que, inicialmente, Golias desafia um homem para descer contra ele; e como não se achou homem no exército de Israel que aceitasse o desafio, é dito que Golias subiu para afrontar Israel. Em outras palavras, a esta altura Golias estava literalmente “instalado” dentro do espaço do exército de Israel naquela batalha. É isto que acontece quando não resistimos ao nosso inimigo: ele se instala. Mas há esperança de vencermos os “gigantes” de nossa vida: devemos nos sujeitar ao Senhor e sermos humildes em admitir nossas imperfeições. Davi sabia que ele não podia vencer aquele gigante pela sua própria força.

Por isso ele disse: “O Senhor me livrará da mão deste filisteu” (1 Samuel 17.37). E disse ainda a Golias: “Tu vens a mim com espada, lança e escudo; mas eu venho a ti em nome do Senhor dos Exércitos, a quem tens afrontado” (1 Samuel 17.45). É preciso reconhecer as nossas limitações e a nossa necessidade de cura. É necessário que nos cheguemos a Deus, nos purifiquemos e nos humilhemos na presença dele. Para muitos, a situação está sempre “tudo bem”. Alguns têm muita dificuldade de reconhecer que precisam de oração, de um ombro amigo, de cura ou apenas de alguém para o ouvir.

Alguns se acham sempre acima de qualquer situação. Existem pessoas envolvidas em vícios, falta de perdão, lutas de toda a espécie, que jamais se humilham e nunca reconhecem que só se sujeitando ao Senhor é que poderão vencer os gigantes desta vida... Por isso Deus diz, pela sua Palavra, que a graça de resistir ao diabo é para os humildes! Esta graça está disponível a todos, mas será concedida apenas para aqueles que tiverem o coração tão humilde, a ponto de chamar o pecado pelo nome, não mentir para si mesmos, não se auto-justificarem e nem tampouco tentar se ocultar do Senhor.

Esta graça é para aqueles que simplesmente reconhecerem: “Pai, eis aí o meu gigante... E eu preciso do Senhor”. Que nesta hora nos sintamos fortalecidos pelo Espírito Santo a nos posicionarmos contra o nosso inimigo. Que nos sintamos encorajados a sermos “praticantes da palavra e não somente ouvintes” (Tiago 1.22) e a “confessarmos os nossos pecados uns aos outros para sermos curados” (Tiago 5.16).

 Que não nos enganemos a nós mesmos, tentando camuflar diante de Deus nossas culpas, dificuldades e lutas, mas simplesmente reconheçamos humildemente que, sem Ele, nada somos e nada podemos fazer; e que, portanto, precisamos desesperadamente de sua presença e auxílio em nossas vidas. Que tenhamos um coração humilde diante de Deus, de nós mesmos e das pessoas que nos cercam, e assim veremos nossos gigantes caírem por terra e serem derrotados pelo Senhor

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

O livro de Joel

O livro de Joel contém muitas promessas. A mais marcante é que Deus mantém-se ao lado de Sua terra e de Seu povo Israel. É um livro cheio de profecia – para Israel e para todos os povos. No livro do profeta Joel encontramos, inclusive, o Evangelho claro para nós hoje.

Em relação ao livro de Joel temos duas perguntas que devem ser formuladas de início para podermos ter uma visão panorâmica: onde nos encontramos cronologicamente? Qual era a situação reinante quando esse livro foi escrito?

O tempo de atuação de Joel não é mencionado, mas pelos paralelos históricos sabemos que ele exerceu seu ministério na Judéia por volta de 840-810 a.C. Portanto, ele é um dos mais antigos “profetas menores”. Se nosso ponto de partida são essas datas, então Joel profetizou durante o reinado de Joás. Lemos a respeito deste em 2 Reis 12.1-21 e 2 Crônicas 24.1-27. Vemos que Joás reinou 40 anos. Sob a liderança divina, por meio do sacerdote Joiada, o jovem Joás deu início a uma renovação espiritual entre seu povo. Seu interesse principal estava voltado para o Templo e os sacrifícios. Mas quando Joiada morreu, os príncipes de Judá convenceram Joás a reintroduzir a adoração a Baal. Na última fase de seu reinado, Joás afastou-se mais e mais de Deus.

Pouco se sabe a respeito do próprio Joel. Seu nome significa “Javé (Yahweh) é Deus” (Jo-El). Provavelmente ele vivia em Jerusalém. Seu pai se chamava Petuel, que significa “convicto por Deus” ou “simplicidade divina”. Seu tema é o vindouro “Dia do Senhor”, o grande dia do juízo, e as conseqüências desse evento. O “Dia do Senhor” acontecerá quando Jesus vier a esta terra visivelmente para estabelecer Seu reino milenar de paz.

O livro de Joel pode ser assim dividido:

Capítulo 1: a parte histórica; a praga de gafanhotos.

Capítulos 2-3: a parte profética; o exército de Javé.

Três coisas desempenham um papel importante no livro de Joel. Não as encontramos apenas neste livro profético, uma vez que se estendem por toda a Bíblia, perpassam a história secular e o Plano de Salvação, chegam até hoje e vão ainda além. Se quiser avaliar sua posição espiritual pessoal ou a de sua igreja, basta perguntar a si mesmo ou à sua igreja qual a postura em relação a estas três coisas:

1. Israel:

O livro de Joel foi escrito para o povo de Israel. O versículo 2 do capítulo 1 se dirige a “todos os habitantes da terra [de Israel]”.

Por que Israel é um assunto tão provocante, não apenas para a sociedade mas também para as igrejas e, talvez, para cada um de nós? Israel é o povo eleito por Deus. Lemos em Joel 2.17: “Chorem os sacerdotes, ministros do Senhor, entre o pórtico e o altar, e orem: Poupa o teu povo, ó Senhor, e não entregues a tua herança ao opróbrio, para que as nações façam escárnio dele. Por que hão de dizer entre os povos: Onde está o seu Deus?”. Deus escolheu e elegeu para Si este povo de Israel, para servi-lO. A morada de Deus, a “Casa do Senhor”, é em Israel. Não é apenas o povo de Israel como um todo, mas uma cidade específica em Israel, Jerusalém, e, mais restritamente, o monte Sião que estão em questão nesse livro profético (Jl 2.32). O livro de Joel é encerrado com as palavras: “...porque o Senhor habitará em Sião” (Jl 4.21). Sião é o centro!

Para Deus sempre é importante não ficar apenas na superfície – Ele avança até o ponto central. Em sua vida, Deus não quer ser apenas um personagem coadjuvante; Ele quer ser o centro de toda a sua existência.

“Sião” é, para todo judeu, a mais elevada representação do que significa “pátria”. Por isso foi chamado de sionismo o movimento destinado a levar os judeus de todo o mundo de volta para Israel.

“Sião” é, para todo judeu, a mais elevada representação do que significa “pátria”. Por isso foi chamado de sionismo o movimento destinado a levar os judeus de todo o mundo de volta para Israel. O profeta Joel fala de sua terra pátria, de sua cidade natal – fala do lugar onde Deus se encontra com os homens: o Templo no monte Sião. No livro de Joel Deus é muito específico no que fala. Ele diz 14 vezes “meu povo”, “minha terra”, “meu santo monte Sião”. Em Joel 2.26 Deus chega a dizer que Seu povo jamais será envergonhado. Ele promete que Israel não deverá mais ser zombado ou escarnecido. Deus toma partido por Seu povo escolhido!

Existe um problema: muitos tentam descartar e substituir Israel. Em Joel 3.2-3 lemos: “Congregarei todas as nações e as farei descer ao vale de Josafá; e ali entrarei em juízo contra elas por causa do meu povo e da minha herança, Israel, a quem elas espalharam entre os povos, repartindo a minha terra entre si. Lançaram sortes sobre o meu povo, e deram meninos por meretrizes, e venderam meninas por vinho, que beberam”. Na Palavra de Deus está escrito muito claramente que foram as nações gentias que dispersaram Israel e o desprezaram. Infelizmente, uma ala da Igreja de Jesus, que segue a horrível Teologia da Substituição, faz parte das “nações gentias” que afirmam que a Igreja é o novo Israel. Não vêem mais a real posição de Israel. Mas o que Deus diz em Joel 3.2? Ele fala de “meu povo”, “minha herança”, “minha terra”! Lemos a palavra “meu” por três vezes! Isso não é a Igreja! Quem ensina que essas expressões se aplicam à Igreja de Jesus está com sua visão embaçada ou não consegue ler direito... sem dúvida, há muitos analfabetos teológicos! O povo de Israel tinha naquela época e tem ainda hoje um status único, pois foi e continua sendo o povo de Deus. Conceda a Israel a sua devida importância espiritual, bíblica e pessoal.

2. Profecia:

O conteúdo básico de Joel é a profecia. Cinqüenta dos seus 73 versículos são proféticos, ou seja, 68% do livro é profecia. Elas falam do “Dia do Senhor”, que é o tema central de Joel (cinco vezes é mencionado o “Dia do Senhor”: 1.15; 2.1; 2.11; 2.31; 3.14). Basicamente, o “Dia do Senhor” é um tempo em que o Senhor vai ao encontro do Seu povo com juízo ou bênção, ou com ambos ao mesmo tempo.

Se lemos a Bíblia e tentamos entender mais e mais o agir de Deus, precisamos nos distanciar do nosso pensamento ocidental e tentar captar a maneira judaica de raciocinar e de se comportar. Se não fizermos isso, não conseguiremos compreender muitas das coisas que as Escrituras dizem. Por exemplo, é importante levar em conta que o dia judaico começa à noitinha, com o pôr-do-sol. Portanto, primeiro vem um tempo de escuridão para depois raiar a luz.

Esse é um espelho exato da maneira com que Deus lidará com Seu povo: primeiro virá o juízo (a escuridão) e depois a bênção (a luz). Primeiro virá para Israel o tempo da Tribulação, e depois o Milênio. No final do tempo de tribulação haverá a grande e terrível batalha do Armagedom, descrita no Apocalipse (Ap 16.16). É justamente essa batalha que Joel, como profeta, antevê e prediz no capítulo 3.2,9-14. Ela culminará no vale da Decisão, como o chama Joel, que é o vale de Josafá. Josafá pode ser traduzido por “o Senhor/Javé faz justiça” ou “o Senhor/Javé julgará”. Essa batalha é mais uma luta contra Israel, mas uma luta sem igual. Não pode ser equiparada nem com a luta do início da Tribulação, quando o rei vindo do Norte (Ez 38-39) se levantará contra Israel. No final dessa grande batalha Jesus, o Cordeiro, julgará a partir de Sião e colocará um ponto final no conflito. É disso que fala Joel 3.14,17: “Multidões, multidões no vale da Decisão! Porque o Dia do Senhor está perto, no vale da Decisão. Sabereis, assim, que eu sou o Senhor, vosso Deus, que habito em Sião, meu santo monte; e Jerusalém será santa; estranhos não passarão mais por ela”.

Como todos os outros profetas, Joel viu apenas alguns fatos relevantes do futuro. Por essa razão, muitos eventos distantes não são mencionados no livro de Joel. Mas quando pesquisamos em outros livros da Palavra de Deus, adquirimos uma visão panorâmica geral e exata do decorrer específico da profecia. Ao estudar as profecias, é importante reconhecer sempre do que o profeta está falando, a que ele está se referindo, a qual acontecimento ele está aludindo. Os profetas nem sempre relatam suas visões proféticas de forma cronológica e completa.

O “Dia do Senhor” não é o “Dia de Jesus Cristo” (Arrebatamento), igualmente mencionado na Bíblia. O “Dia do Senhor” diz respeito à volta visível de Cristo, quando Seus pés estarão sobre o monte das Oliveiras (Zc 14.4).

O “Dia do Senhor” não é o “Dia de Jesus Cristo” (Arrebatamento), igualmente mencionado na Bíblia. O “Dia do Senhor” diz respeito à volta visível de Cristo, quando Seus pés estarão sobre o monte das Oliveiras (Zc 14.4). Isso é muito importante para encaixá-lo corretamente na profecia bíblica. Também é importante saber sempre em que época nos encontramos dentro da cronologia profética da Bíblia. A profecia nos ajuda a reconhecer o quanto estamos próximos de eventos bíblicos como o Arrebatamento, das dores de parto dos tempos finais, etc. Exatamente isso torna a Bíblia tão atual! Muitos crentes dizem: “Não exagerem tanto com a profecia bíblica. O que importa é que Jesus nos ama!” Mas a Bíblia é 30% profecia, ou seja, 1/3 da Palavra de Deus é profecia! O que fazem os cristãos quando chegam a 2 Pedro 1.19, que diz: “Temos, assim, tanto mais confirmada a palavra profética, e fazeis bem em atendê-la, como a uma candeia que brilha em lugar tenebroso, até que o dia clareie e a estrela da alva nasça em vosso coração”? Talvez leiam os versículo 18 e 20 mas, na hora de ler o versículo 19, têm problema de falta de foco em sua visão. Onde encontramos a verdadeira profecia? Somente na Palavra de Deus, na Bíblia! Por essa razão deveríamos ser muito precavidos em relação a tantos profetas auto-proclamados e a profecias particulares. Para ter esse discernimento, é necessário que conheçamos muito bem a Palavra de Deus, a Sagrada Escritura.

Atente à palavra profética! Seja vigilante e reconheça o tempo em que vivemos!

3. Palavra de Deus (Evangelho):

Onde encontramos a verdadeira profecia? Somente na Palavra de Deus, na Bíblia! Por essa razão deveríamos ser muito precavidos em relação a tantos profetas auto-proclamados e a profecias particulares. Para ter esse discernimento, é necessário que conheçamos muito bem a Palavra de Deus, a Sagrada Escritura.

Podemos crer que o pai de Joel ensinou-lhe a devida reverência à Palavra de Deus. Seu nome lembra disso, pois Petuel significa “convicto de Deus”, “simplicidade divina”. Quando estamos convictos de alguma coisa, podemos transmiti-la de forma mais convincente, de todo o coração. Foi o que Joel fez em toda a sua simplicidade. Ele não diz: “Aqui tenho a palavra do Senhor e vou indicar o rumo para vocês”. Ele se inclui e fala de “nosso Deus” (Jl 1.16). Também dirige-se a pessoas individualmente: a sacerdotes, a anciãos, ao povo de Israel. E o profeta também tem uma mensagem para os povos gentios. Com isso vemos que a Palavra de Deus diz respeito a todos e se dirige a todos. A mensagem do livro também cabe dentro do Novo Testamento: o que o Evangelho diz, é dito igualmente pelo livro de Joel.

A Palavra de Deus, o Evangelho, nos conclama a quê?

A narrar: “Narrai isto a vossos filhos, e vossos filhos o façam a seus filhos, e os filhos destes, à outra geração” (Jl 1.3). Nós, você e eu, temos a incumbência de ir e pregar o Evangelho às pessoas. No Salmo 96.3 está escrito: “Anunciai entre as nações a sua glória, entre todos os povos, as suas maravilhas”.

A despertar: “Ébrios, despertai-vos e chorai; uivai, todos os que bebeis vinho, por causa do mosto, porque está ele tirado da vossa boca” (Jl 1.5). Esse versículo é uma conclamação de despertamento vinda da parte de Deus para o povo de Israel, mas é válido para nós também. As pessoas precisam ser acordadas. Precisamos dizer-lhes que necessitam de Jesus. Um chamado ao despertamento não pode ser em tom baixo e suave. Certa vez entrei no quarto da minha filha porque era tarde e ela ainda estava escutando música. Aí vi que ela adormecera apesar da música. Ela nem ouviu quando a chamei. Tive de sacudir sua cama para que ela acordasse. A nós fica a pergunta: em que sentido precisamos ser despertados e acordados? Em que área da nossa vida a Palavra de Deus precisa nos sacudir outra vez?

A se converter: “Ainda assim, agora mesmo, diz o Senhor: Convertei-vos a mim de todo o vosso coração; e isso com jejuns, com choro e com pranto. Rasgai o vosso coração, e não as vossas vestes, e convertei-vos ao Senhor, vosso Deus, porque ele é misericordioso, e compassivo, e tardio em irar-se, e grande em benignidade, e se arrepende do mal” (Jl 2.12-13). O capítulo 2 fala que devemos dar meia-volta. Converter-se não é um ato exterior como, por exemplo, rasgar as vestes. O renascimento somente acontece quando a meia-volta é de todo o coração. Por isso Joel repete duas vezes a sua conclamação. Novo nascimento não é apenas voltar-se para Deus exteriormente; a reviravolta precisa vir de dentro para fora. Não basta levantar a mão durante um culto evangelístico. Primeiro precisa haver uma decisão de coração, e então seguem-se os atos exteriores. É o que Joel diz em alto e bom som ao povo de Israel, e é o que precisamos hoje, você e eu: uma decisão de coração, uma meia-volta, um retorno ao Pai do céu. Então nosso rumo estará corrigido, e ele será em direção a Jesus Cristo. É o que vemos no capítulo 3.

As pessoas precisam ser acordadas. Precisamos dizer-lhes que necessitam de Jesus. Um chamado ao despertamento não pode ser em tom baixo e suave.

Invocar o nome do Senhor: “E acontecerá que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo...” (Jl 2.32). Depois da meia-volta acontece a salvação pela invocação do nome de Jesus. Apenas quem O invoca é salvo. Por isso Paulo cita essa passagem: “Pois não há distinção entre judeu e grego, uma vez que o mesmo é o Senhor de todos, rico para com todos os que o invocam. Porque: Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo” (Rm 10.12-13). Em qualquer situação nesta semana, neste mês, neste ano, podemos ter certeza: Jesus está aqui, e com Ele está a salvação! Então poderemos experimentar o que o povo de Israel experimentou:

Mudança: “Eis que, naqueles dias e naquele tempo, em que mudarei a sorte de Judá e de Jerusalém...” (Jl 3.1). Justamente para o povo de Deus a transformação é tão importante. Israel voltará a florescer e a crescer: “Não temais, animais do campo, porque os pastos do deserto reverdecerão, porque o arvoredo dará o seu fruto, a figueira e a vide produzirão com vigor” (Jl 2.22). Isso pode e deve ser assim na sua e na minha vida: “Eu sou a videira, vós, os ramos. Quem permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer” (Jo 15.5).

Deus é o futuro de Israel e seu forte refúgio: “...o Senhor será o refúgio do seu povo e a fortaleza dos filhos de Israel” (Jl 3.16). E Ele quer ser essa segurança também para você: “Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão” (Jo 10.28).

Deus habitará com Seu povo e Jerusalém será santa: “Sabereis, assim, que eu sou o Senhor, vosso Deus, que habito em Sião, meu santo monte; e Jerusalém será santa; estranhos não passarão mais por ela” (Jl 3.17). Exatamente assim Ele habita entre nós (1 Co 6.19) e nós também somos santos (Cl 3.12).

O Senhor habitará e ficará para sempre em Sião: “...o Senhor habitará em Sião” (Jl 3.21). Da mesma forma Ele estará para sempre conosco, até o fim dos dias: “Eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século” (Mt 28.20).

Diariamente podem acontecer transformações na sua e na minha vida – confiemos que Deus tem o poder de executá-las! A Palavra de Deus é a base de tudo na vida. Você pode se apoiar nela completamente!

Joel é um livro cheio de promessas: 1. Que Deus está do lado de Sua terra e do Seu povo Israel. 2. É cheio de profecia – para Israel e para todos os povos. 3. Contém até mesmo o claro Evangelho para nós hoje.

O Senhor está acima de tudo, e por isso o nome de Joel significa que o Senhor é Deus acima de tudo! Deus também é o Senhor da sua vida? Se Ele for seu soberano, então você pode enfrentar o futuro confiadamente!