Graças, porém, a Deus que em Cristo sempre nos conduz em triunfo, e por meio de nós difunde em todo lugar o cheiro do seu conhecimento. Colossenses 1:10

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segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Qual o Resultado da Visão Espiritual?


"Proferiu a sua palavra e disse: Palavra de Balaão, filho de Beor, palavra do homem de olhos abertos; palavra daquele que ouve os ditos de Deus, o que tem a visão do Todo-Poderoso e prostra-se, porém de olhos abertos..." (Nm 24:3,4).


"E foram para Jerico. Quando ele saía de Jerico, juntamente com os discípulos e numerosa multidão, Bartimeu, cego mendigo, filho de Timeu, estava assentado à beira do caminho... Perguntou-lhe Jesus: Que queres que eu te faça? Respondeu o cego: Mestre, que eu torne a ver. Então, Jesus lhe disse: Vai, a tua fé te salvou. E imediatamente tornou a ver e seguia Jesus estrada afora" (Mc 10:46, 51,52).


"Jesus, tomando o cego pela mão, levou-o para fora da aldeia e, aplicando-lhe saliva aos olhos e impondo-lhe as mãos, perguntou-lhe: Vês alguma coisa? Este, recobrando a vista, respondeu: Vejo os homens, porque como árvores os vejo, andando. Então, novamente lhe pôs as mãos nos olhos, e ele, passando a ver claramente, ficou restabelecido; e tudo distinguia de modo perfeito" (Mc 8:23-25).


"Caminhando Jesus, viu um homem cego de nascença... dizendo-lhe: Vai, lava-te no tanque de Siloé (que quer dizer Enviado). Ele foi, lavou-se e voltou vendo... Ele retrucou: Se é pecador, não sei; uma coisa sei: eu era cego e agora vejo" (Jo 9:1, 7, 25).


"...para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos conceda espírito de sabedoria e de revelação no pleno conhecimento dele, iluminados os olhos do vosso coração, para saberdes qual é a esperança do seu chamamento, qual a riqueza da glória da sua herança nos santos e qual a suprema grandeza do seu poder para com os que cremos, segundo a eficácia da força do seu poder" (Ef 1:17-19).


".. .pois dizes: Estou rico e abastado e não preciso de coisa alguma, e nem sabes que tu és infeliz, sim, miserável, pobre, cego e nu" (Ap 3:17).


"... livrando-te do povo e dos gentios, para os quais eu te envio, para lhes abrires os olhos e os converteres das trevas para a luz e da potestade de Satanás para Deus, a fim de que recebam eles remissão de pecados e herança entre os que são santificados pela fé em mim" (At 26:17, 18).

Logo no início da nossa meditação anterior estivemos falando da causa da doença do nosso tempo, que é a cegueira espiritual. Tomamos aquelas passagens que lemos e observamos como elas, de forma geral, cobrem todo o terreno da cegueira e da visão espiritual. Depois passamos a falar sobre o fator comum nestes casos que é: a visão espiritual é sempre um milagre.

Ninguém tem verdadeira visão espiritual por natureza. Ela é algo que vem do céu como uma ação direta de Deus; é uma faculdade que não está aqui naturalmente, mas tem que ser criada. De modo que a própria justificação para a vinda de Cristo do céu a este mundo é achada neste fato: o homem nasce cego e precisa de um visitante do céu para lhe dar visão.


Por fim, vimos que perder a visão espiritual é perder o elemento sobrenatural na vida cristã; este era o problema de Laodicéia. Prosseguimos vendo que a grande necessidade da época é de cristãos que realmente possam dizer: Eu vejo! Pense em você nascendo cego e vivendo talvez até a maturidade sem ter visto nada nem ninguém e, de repente, seus olhos são abertos para ver tudo e todos. O sentimento de assombro estaria ali. O mundo seria um mundo maravilhoso.

Imagino que quando aquele homem em João 9 foi para casa, ele dizia constantemente: "E maravilhoso ver as pessoas e todas estas coisas!". Maravilhoso! Esta seria a palavra mais encontrada em seus lábios. Sim, mas existe uma contraparte espiritual, e a grande necessidade é de pessoas que têm assombro espiritual em seus corações todo o tempo, aquilo que nasceu pela revelação do Espírito Santo e é um assombro constante e crescente. É um novo mundo, um novo universo. Esta é a necessidade do nosso tempo: Eu vejo!

Nesta meditação vamos seguir de perto a idéia de que em cada estágio da vida cristã, do início à consumação, o segredo deve ser apenas este: Eu vejo. Nunca vi como vejo agora! Nunca vi dessa forma. Nunca vi com essa perspectiva, mas agora eu vejo! Deve ser assim todo o tempo, do princípio ao fim, se a vida é uma verdadeira vida no Espírito. Por um curto espaço de tempo pensemos em uma ou duas fases da vida cristã que devem ser governadas por esta grande realidade de ver pela operação divina. Você vai se lembrar bastante da Palavra de Deus enquanto falo, vendo o quanto existe nas Escrituras a esse respeito.

A VISÃO GOVERNA O INÍCIO DA VIDA CRISTÃ

O que é o início da vida cristã? E um ver. Deve ser um ver. A própria lógica das coisas exige que seja um ver; por esta razão, o todo da vida cristã deve ser um movimento progressivo numa linha, em direção a um fim. A linha e o fim é Cristo. Esta foi a questão com o homem nascido cego em João 9. Você se lembra como, depois de o terem lançado fora, Jesus o encontrou e lhe disse: "Crês tu no Filho do Homem?". E o homem "respondeu e disse: Quem . é, Senhor, para que eu nele creia? E Jesus lhe disse: Já o tens visto, e é o que fala contigo. Então, afirmou ele: Creio, Senhor; e o adorou". O resultado da visão espiritual é o reconhecimento do Senhor Jesus e será assim por todo o caminho do princípio ao fim.


Podemos dizer que a nossa salvação foi uma questão de ver-nos como pecadores. Mas se tivéssemos parado ali, nossa expectativa teria sido muito pobre. Ou podemos dizer que é ver Cristo morrendo pelos pecadores. Isso é muito bom, mas não o bastante. A menos que vejamos quem Cristo é, aquela coisa sutil e fatal que afirma que muitos soldados britânicos tiveram uma morte tão heróica por seus companheiros como foi a morte de Jesus pode encontrar abrigo em nossos corações, sem discernir ou discriminar entre um e outro. Não, toda a questão é resumida no ver a Jesus.

Quando realmente vemos a Jesus, o que acontece? O que aconteceu com Saulo de Tarso? Bem, uma porção de coisas aconteceu, e coisas poderosas que nada mais, senão o ver a Jesus, poderia produzir. Nunca poderíamos persuadir um Saulo de Tarso a se tornar cristão, tampouco amedrontá-lo. Não poderíamos convencê-lo por meio de argumentos nem por meio da emoção a se tornar um cristão. Para tirá-lo do judaísmo era necessário algo mais do que se poderia encontrar na Terra. Mas ele viu Jesus de Nazaré, e isso foi o bastante. Agora ele está fora, é um homem emancipado, ele viu.


Mais tarde ele tem que enfrentar a grande dificuldade dos judaizantes, que o seguem onde quer que vá visando perturbar a fé dos seus convertidos, para arruinar sua posição em Cristo, se já não haviam conseguido isso (refiro-me aos convertidos e igrejas na Galácia). Então ele levanta de novo toda a questão no tocante ao que realmente é um cristão e focaliza este mesmo ponto no que aconteceu na estrada de Damasco.

A Carta aos Gálatas pode ser resumida assim: o cristão não é alguém que faz isso e aquilo e deixa de fazer isso e aquilo por serem coisas proibidas. O cristão não é alguém governado pelas coisas exteriores de um modo de vida, uma ordem, um sistema legalístico que diz: "Você deve e você não deve". O cristão está incluído nesta declaração: "... aprouve [a Deus] revelar seu Filho em mim..." (Gl 1:15, 16). Esta é apenas outra forma de dizer: "Ele abriu meus olhos para ver a Jesus", pois as duas coisas são idênticas.

A estrada de Damasco é o lugar. "Quem és, Senhor? Eu sou Jesus de Nazaré." "Aprouve [a Deus] revelar seu Filho em mim." Isso é uma e a mesma coisa. Ver de forma interior: isso faz um cristão! "Deus... resplandeceu em nosso coração, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Cristo" (II Co 4:6). "Em nosso coração." Cristo, assim comunicado e revelado no interior, é o que faz um cristão. O cristão fará ou não fará certas coisas não pela anunciação de certas leis cristãs, muito menos pelas judaicas, mas conforme a direção interior do Espírito Santo,, por Cristo no coração. E isso que faz um cristão e nisso é lançado o fundamento para todo o resto, até a consumação, porque será apenas isso de fo rma crescente. Assim o fundamento deve ser conforme a superestrutura. Tudo faz parte de uma peça. E ver e ver a Cristo.

Esta é uma declaração ousada sobre a qual muito mais poderia ser dito. Mas é um desafio. Temos que nos perguntar: sobre qual fundamento descansa a nossa vida cristã? E sobre algo exterior, algo que lemos, algo que nos foi contado, algo que nos foi ordenado, algo que nos amedrontou ou emocionou, ou tem como base isto: "Aprouve [a Deus} revelar seu Filho em mim"? Quando eu O vi, vi que pecador eu sou e também vi que Salvador Ele é. Isso aconteceu porque eu O vi!


Sei como isso é elementar para uma conferência de cristãos, mas às vezes é bom examinar nossos fundamentos. Nunca saímos desses fundamentos. Não vamos crescer e nos tornar tão maravilhosos a ponto de deixar tudo para trás. Tudo faz parte de uma peça só. Não quero dizer que permanecemos nesse estágio elementar toda nossa vida, mas levamos o caráter dos nossos fundamentos até o fim. A graça que lançou o fundamento trará a pedra de arremate com aclamações de "graça, graça!". Tudo será isto: a graça de Deus abrindo nossos olhos. Não vou me deter mais nesse ponto.

A VISÃO GOVERNA O CRESCIMENTO ESPIRITUAL

Vamos passar para o crescimento. Como o início é pelo ver, assim também é o crescimento. O crescimento espiritual vem através do ver. Desejo que você pense nisso. Temos que ver se desejamos crescer. O que é crescimento espiritual? Responda cuidadosamente em seu coração. Penso que algumas pessoas imaginam que o crescimento espiritual é adquirir cada vez mais verdades. Não, não necessariamente. Você pode crescer em tal conhecimento à medida que cresce, mas não é apenas isso. O que é crescimento? E ser conformado na imagem do Filho de Deus. Este é o fim e é nessa direção que estamos nos movendo de forma progressiva, firme e consistente.

Crescimento pleno, maturidade espiritual é sermos feitos conforme a imagem do Filho de Deus. Isso é crescimento. Então, se for assim, Paulo nos diz: "E todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados, de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito" (II Co 3:18). Somos conformados pelo ver e crescemos pelo ver.

O MINISTÉRIO DO ESPÍRITO SANTO

Ora, o que foi dito anteriormente contém um princípio • precioso e profundo. Como podemos ilustrá-lo? Penso que com o próprio texto que foi citado. A última frase nos dá a chave: "Como pelo Senhor, o Espírito".


Espero não estar fazendo uso de uma ilustração muito trivial ao tentar ajudar neste aspecto, quando me volto para Eliézer, servo de Abraão, Isaque e Rebeca, aquele romance clássico do Antigo Testamento. Você se lembra do dia em que Abraão, ficando velho, chamou seu mordomo fiel, Eliézer, e lhe disse: "Põe a mão por baixo da minha coxa, para que eu te faça jurar pelo Senhor, Deus do céu e da terra, que não tomaras esposa para meu filho das filhas dos cananeus, entre os quais habito; mas irás à minha parentela e daí tomaras esposa para Isaque, meu filho" (Gn 24:2-4). E ele jurou.


Então Eliezér saiu, como você sabe, com os camelos para o distante país do outro lado do deserto, orando enquanto ia, para que o Senhor prosperasse seu caminho e lhe desse um sinal. O sinal foi dado junto ao poço. Rebeca correspondeu ao sinal de Eliezér e depois de estar um pouco com a família enfrentou o desafio de maneira muito clara e decidiu ir com ele. Pelo caminho ele apresentou os seus tesouros, coisas da casa do seu senhor, coisas do filho do seu senhor e as mostrou a ela, ocupando-a todo o tempo com o filho do seu senhor e com as coisas que indicavam que filho ele era, quais eram os seus bens e em que tipo de situação ela estava entrando. Isso perdurou por todo o deserto, até alcançarem o outro lado e chegarem à região da casa de Abraão. Isaque estava no campo meditando; eles levantaram os olhos e viram, e o servo disse: "Lá está ele! Aquele de quem estive lhe falando todo o tempo; o dono de tudo o que estive lhe mostrando. Lá está ele!". E Rebeca desceu do camelo.

Você acha que ela se sentiu estranha, como se tivesse vindo de um país distante? Creio que o efeito do ministério de Eliézer foi fazer com que ela se sentisse bem em casa, fazer com que ela sentisse como se conhecesse o homem com quem ia se casar. Ela não sentiu nenhuma estranheza, aflição ou qualquer elemento estranho sobre isso. Podemos dizer que os dois, Isaque e Rebeca, simplesmente se amalgamaram? Foi a consumação do processo.
"Como pelo Senhor, o Espírito." O Senhor Jesus disse: ".. .quando vier, porém, o Espírito da verdade... não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido... porque há de receber do que é meu e vo-lo há de anunciar" (Jo 16:13, 14). O Espírito, o servo fiel da casa do Pai, veio através do deserto para encontrar uma noiva para o Filho, da Sua própria parentela. Sim, existe lugar para assombro aqui.

"Visto, pois, que os filhos têm participação comum de carne e sangue, destes também ele, igualmente, participou. .." (Hb 2:14); "Pois, tanto o que santifica como os que são santificados, todos vêm de um só" (Hb 2:11).


O Espírito veio para adquirir esta noiva agora, que seja uma com Ele, Sua carne e Seu osso. Mas o Espírito deseja estar nos ocupando todo o tempo com o Senhor Jesus, mostrando-nos Suas coisas. Com que fim? Para que não sejamos como estranhos quando O encontrarmos; para não sentirmos que somos de um tipo e Ele de outro, mas para que seja exatamente assim: "Este é o último passo dos muitos anteriores que conduziram a ele, e cada passo tem feito com que esta unidade seja mais perfeita e esta harmonia mais completa".

No final, sem qualquer grande crise, simplesmente entremos. Temos prosseguido o tempo todo, e este é o último passo. Isso é conformidade à Sua imagem; isso é crescimento espiritual: chegar a conhecer o Senhor, tornar-se como Ele, chegando a estar perfeitamente à vontade com Ele, de modo a não haver choque, nem estranheza, nem discórdia, nem distância. União com nosso Senhor Jesus, sendo aprofundada todo o tempo até a consumação: isso é crescimento espiritual. Como você vê, é algo interior novamente e é simplesmente o desenvolvimento daquela iniciação, daquele início. Vimos e estamos vendo, e vendo e vendo, e enquanto estamos vendo somos transformados.


Isso é verdade a respeito de tudo o que você pensa que vê? Temos que fazer um teste de tudo o que pensamos que vemos e conhecemos, por meio do seu efeito em nossas vidas. Você e eu podemos ter uma quantidade enorme do que pensamos ser conhecimento espiritual. Temos todas as doutrinas, todas as verdades, podemos recitar as principais doutrinas evangélicas; mas qual é o resultado? Não é ver, amado, no sentido espiritual, se não somos transformados. Esta é a tragédia de muitos que têm todas essas coisas, mas são tão pequenos, tão débeis, tão desagradáveis, tão cruéis, tão legalistas.

Sim, ver é ser transformado, e se isso não acontecer não é ver. Seria muito melhor se fôssemos despojados de tudo isso e levados exatamente ao ponto onde vemos apenas aquele pouquinho que faz grande diferença. Devemos ser bem honestos com Deus sobre isso. Não é preferível ter apenas um pouquinho de visão espiritual que tenha cem por cento de eficácia, do que uma montanha de conhecimento com noventa por cento que não serve para nada?

Devemos pedir ao Senhor que nos livre de avançar além da vida espiritual, quero dizer, avançar no aspecto do conhecimento, uma espécie de conhecimento que presume conhecer. Você sabe o que quero dizer. O ver real, diz Paulo, é ser transformado, e ser transformado é uma questão de ver, como pelo Senhor, o Espírito. Portanto, devemos orar para ver.

Alguns de nós conhecíamos nossa Bíblia, nosso Novo Testamento, conhecíamos Romanos, Efésios; isto é, pensávamos que conhecíamos. Podíamos até mesmo dar aulas de Bíblia e desses livros e sobre as verdades neles contidas, e assim fizemos por muitos anos. Então um dia nós vimos, e as pessoas viram que tínhamos visto e disseram: o que aconteceu com este ministro? Ele não está dizendo nada diferente do que sempre disse, mas há uma diferença; ele viu algo! E isso.

A VISÃO GOVERNA O MINISTÉRIO

E naturalmente isso nos leva ao próximo ponto, embora seja numa breve palavra. O que é verdadeiro com respeito ao início da vida cristã, o que é verdadeiro com respeito ao verdadeiro crescimento, também é verdadeiro com respeito à questão do ministério. Mas não pense que estou falando de qualquer classe especial de pessoas chamadas de "ministros". Ministério, como já foi dito antes neste estudo, é uma questão de utilidade espiritual. Qualquer ministério que não seja um assunto de utilidade espiritual não é ministério verdadeiro, e qualquer que for espiritualmente útil é um ministro de Cristo. De modo que estamos todos no ministério, no plano de Deus. Visto ser assim, todos somos afetados, todos somos governados por esta mesma lei. Ser útil espiritualmente é uma questão de ver.


Sabemos que a Segunda Carta aos Coríntios é a que mais trata sobre o ministério no Novo Testamento. "Pelo que, tendo este ministério..." (4:1) - e o que é este ministério? Bem, "ele mesmo [Deus] resplandeceu em nosso coração..." (4:6).


E do nosso conhecimento que Paulo tem Moisés, o ministro de Deus, no fundo da sua mente enquanto escreve esta parte da sua carta. E por esta designação que conhecemos Moisés: o servo de Deus; e Paulo está se referindo a ele cumprindo seu ministério, seu serviço, lendo a lei e colocando um véu sobre seu rosto por causa da glória que impedia que o povo olhasse para ele. E aquela glória era passageira.

Agora Paulo diz que, no ministério a nós confiado, Deus resplandeceu no nosso interior e não precisamos de um véu. Em Cristo o véu é tirado; e o que você deve ver em nós é Cristo e Cristo deve ser ministrado através de nós conforme Ele é visto, e nós somos os veículos para manifestar a Cristo. Isso é utilidade espiritual; isso é ministério: manifestar a Cristo. E "temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus e não de nós" (4:7). "Em tudo somos atribulados..." - e então segue uma lista de coisas que nos rebaixam. Mas na verdade ele está dizendo: E Cristo!

Se somos rebaixados, perseguidos, menosprezados, abatidos, levando sempre em nosso corpo o morrer do Senhor Jesus, isso é apenas a maneira de Deus manifestar a Cristo. Se somos perseguidos e menosprezados, abatidos e a graça do Senhor Jesus é suficiente, e você vê a graça do Senhor Jesus sendo manifestada naquele sofrimento e provação, então você diz: Este é um Cristo maravilhoso! Você vê a Cristo, e por nossos sofrimentos Cristo é ministrado. Isso é utilidade espiritual.

De quem você mais recebeu ajuda? Eu sei quem mais me ajudou. Não foi ninguém no púlpito. Foi alguém que passou por sofrimento intenso e terrível durante muitos anos e em quem a graça de Deus foi suficiente. Eu pude dizer: "Se eu passar por sofrimento como este, então meu cristianismo será precioso e valerá a pena ter um Cristo como o meu". Isso muito me ajudou e é isso que quero ver.

Não pregue para mim; viva e isso será de maior ajuda para mim. E realmente uma inspiração para mim e deveria ser para nós ver que em nossa provação e adversidade é que os outros podem ver o Senhor e serem mais ajudados. O modo como passamos pela provação é o que mais vai ajudar os outros, muito mais do que aquilo que possamos lhes dizer.


Que o Senhor possa nos cobrir quando dizemos algo assim, pois conhecemos nossa fragilidade e como falhamos para com Ele quando estamos debaixo da prova. Mas é isso que Paulo está dizendo aqui sobre o ministério. "Temos, porém, este tesouro em vasos de barro... Em tudo somos atribulados... perplexos... abatidos... levando sempre no corpo o morrer de Jesus." Mas com Paulo o fim de todas as coisas era: "E glorificavam a Deus a meu respeito" (Gl 1:24). O que você quer além disso? Isso é ministério. Se você e eu pudermos dizer que em qualquer ocasião não vivemos em vão. Teremos sido de utilidade se isso puder ser dito: "E glorificavam a Deus a meu respeito".

Mas o importante é o ver. Nós, para sermos espiritualmente úteis, temos que ver, a fim de que outros possam ter base para ver. Falo dessa forma porque podemos ver e passar o que vemos; podemos ser cartas vivas, mas os outros podem não estar vendo. Mas existe a base para que eles vejam, e se forem honestos de coração e sem preconceitos, realmente abertos para o Senhor, Ele permitirá que vejam aquilo que o Senhor nos revelou e que Ele está buscando revelar através de nós. Ele deve ter cartas vivas, homens e mulheres nos quais Ele possa ser lido. Isso é ministério.
De modo que o ministério dado e o ministério recebido é tudo uma questão dessa obra divina da graça abrindo nossos olhos. Tudo isso constitui um grande apelo aos nossos corações para buscarmos o Senhor no sentido de termos nossos olhos abertos. Se somos sérios para com o Senhor, nunca é tarde demais para termos visão espiritual, a despeito de quão cegos tenhamos sido e por quanto tempo. Mas não se esqueça de que isso é uma questão de sermos honestos para com Deus.

O Senhor Jesus disse uma coisa maravilhosa a Natanael. Ele estava perigosamente perto daquela dupla cegueira. No momento em que se permitiu dar expressão a um preconceito popular, ele chegou perto da zona de perigo. Ele disse: "De Nazaré pode sair alguma coisa boa?". Esse é um preconceito popular. Um preconceito popular tem impedido que homens e mulheres conheçam os propósitos plenos de Deus. Os preconceitos podem tomar muitas formas. Tenhamos cuidado. Mas Natanael foi salvo. O Senhor Jesus disse: "Em verdade, em verdade vos digo que vereis o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem" (Jo 1:51). Quando Ele disse "vereis" quis dizer no dia do Espírito. "Como pelo Senhor, o Espírito", Natanael iria ver. Ele estava em perigo, mas escapou. Se você está em perigo por causa do seu preconceito, tenha cuidado. Abandone seu preconceito, tenha o coração aberto. Seja um israelita em quem não haja Jacó, sem engano, com o coração aberto ao Senhor, e você verá!

Fonte - Extraido do Livro VISÃO ESPIRITUAL, T. Austin-Sparks, Editora dos Classicos

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