Graças, porém, a Deus que em Cristo sempre nos conduz em triunfo, e por meio de nós difunde em todo lugar o cheiro do seu conhecimento. Colossenses 1:10

Web Radio Gospel Da Covilha - ((( Portugal))) Sua Amiga De Todos As Horas

terça-feira, 17 de setembro de 2013

O Evangelho do Espírito e Não da Carne

Outra vez digo: Ninguém me julgue insensato, ou então recebei-me como insensato, para que também me glorie um pouco.
2 Coríntios 11:16

Atualmente, notamos uma explosão espiritualista no Brasil. Não só no meio evangélico, mas nas demais religiões, parece acontecer uma espécie de "avivamento".

A partir disso, percebemos o surgimento de inúmeras comunidades que se auto- intitulam cristãs; todavia, com práticas, rituais e comportamentos que se distanciam daqueles vividos e ensinados por Cristo Jesus.

Isso já ocorreu em outros tempos na história da igreja. Quando o Cristianismo se tornou religião oficial do Império Romano, por volta do ano 300 d.C., o imperador, desejoso de estimular a fé cristã em seu reino, concedeu alguns benefícios aos que a ela aderissem.

Muitos, ansiosos pelos favores do governo, foram batizados, vieram para a igreja, porém, sem conversão, trouxeram consigo e passaram a viver um "outro evangelho" - com orações aos mortos, velas e imagens etc.

De tempos em tempos, a igreja tem sido tentada a trocar de evangelho, talvez para um que lhe agrade mais, ou que satisfaça seus doces anseios humanos. Os irmãos da Galácia, a exemplo disso, estavam se aderindo, rapidamente, a um "outro evangelho" (1.16).

A EPÍSTOLA

Antes de extrair dessa epístola as lições ricas que ela contém, é necessário conhecer o pano de fundo histórico da igreja, da região, bem como o conteúdo da carta.

Lugar: No ano 250 a.C., o último rei gálata legou seu reino aos romanos, que o transformaram em uma província, com capital em Ancira. A Galácia não era uma cidade, e sim, uma região que compreendia algumas cidades e igrejas. Sir William Ramsay, comentarista e estudioso do Novo Testamento, afirma que as igrejas da Galácia eram as de Antioquia, Psídia, Icônio, Derbe e Listra, que Paulo fundara em sua primeira viagem missionária (At 16.1 e 18.23).

Data: Estima-se que a epístola aos Gálatas tenha sido escrita entre o período de 48 a 56 d.C., e isso pelas citações que Paulo faz do seu encontro com líderes cristãos em Jerusalém, que logo em seguida seria destruída.

Conteúdo: Ao contrário das demais epístolas, não vemos aqui agradecimentos aos destinatários, nem tampouco ações de graças rendidas por causa deles. Paulo, porém, começa censurando seus leitores pela situação de abandono ao evangelho de Cristo, e apego a um "encantamento" por outro qualquer. A epístola, no que se segue, pode ser dividida pelo seu conteúdo. O Dr. Kummel a divide em três partes, a saber:

1. A defesa do ministério de Paulo: seu apostolado recebido diretamente de Deus (1.11-24), seu reconhecimento pelos ... de Jerusalém e apóstolos (2.1- 11), e o encontro com os primeiros líderes cristãos da época, na defesa do ministério entre os gentios (2.11-21).

2. A demonstração da necessidade de liberdade diante da Lei. A defesa que a justificação está vinculada, não ao cumprimento da Lei, mas à promessa da graça. O fato é ilustrado na experiência de Abraão (3.6-9); quando entendido corretamente, o Antigo Testamento lhes diz a mesma coisa (3.10-14), estabelecendo entre a Lei e a Fé uma oposição. Agora, em Cristo, a Lei perde a sua função (3.25-4.7).

Segue-se uma prova escriturística em favor da liberdade dos cristãos, baseada em uma interpretação alegórica da narrativa de Hagar e Sara (4.21-31) e uma admoestação renovada para que renunciem a escravidão da Lei (5.1-12).

3. Que se liga ao tema da liberdade dos cristãos, advertindo-os a que preservem essa liberdade e não retomem o jugo de escravidão (5.13-6.10). E, por fim, uma saudação de próprio punho (6.11-18).

Assim, podemos ter uma ideia mais abrangente desta carta paulina, endereçada aos irmãos da região da Galácia, cujo enfoque principal está na questão de se permitirem enredar por um outro evangelho, um evangelho que não é o de Cristo Jesus.

1 – O EVANGELHO DA GRAÇA E NÃO DA LEI

Um tema predominante na epístola aos Gálatas, é o confronto que Paulo faz entre o evangelho da Graça, que ele chama da fé, e esse novo evangelho, legalista, vinculado ao cumprimento da lei do Judaísmo. Isso ocorreu por causa da influência que os cristãos da Galácia sofriam dos judaizantes.

Assim sendo, esses cristãos voltaram à prática dos rituais judaicos para satisfazer ao apelo da lei, como algo necessário para a complementação da salvação. Eram submetidos à circuncisão (5.2,3), eram censurados quanto às festas e alimentação (2.11-14), guarda de dias, e coisas semelhantes a essas (4.10).

Para combater esse pensamento legalista, que contaminou o evangelho e desfigurou a igreja da Galácia, Paulo inicia afirmando sua condição: sua origem judaica e privilégios destacáveis entre os judeus (1.14).

Todavia, Paulo conclui dizendo que morreu para a Lei: "Porque eu, mediante a própria lei, morri para a lei, a fim de viver para Deus" (2.19). Imediatamente, ele passa a confrontar a Cefas, que se tornara mau exemplo e de comportamento repreensível (2.14). Essa supervalorização da lei em meio ao evangelho da Galácia produziu algumas deformações na fé cristã:

1.1. Uma salvação meritória - "Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus" (Ef 2.8). Um evangelho que confia nas obras da lei, afirma uma salvação pelos méritos humanos.

Paulo denuncia que o evangelho da Galácia era ineficaz para a salvação, pois estava fundamentado nas obras da lei, e isso jamais traria justificação ao homem: "O homem não é justificado por obras da lei", e "é evidente que pela lei ninguém é justificado diante de Deus" (2.16;3.11).

A lei denuncia e evidencia a presença do pecado no homem. A lei condena. Sem a graça, o evangelho da lei é só desgraça, infortúnio, condenação e maldição: "Cristo nos resgatou da maldição da lei" (3.13; Rm 5.1,2).

1.2. Um sacrifício em vão - Paulo volta a denunciar que o evangelho da Galácia era ineficaz para a salvação, pois se a justiça vem por obras da lei, o sacrifício de Jesus foi desnecessário e insuficiente: "pois, se a justiça é mediante a lei, segue-se que morreu Cristo em vão" (2.21).

Ao contrário do que pensavam os gálatas, para Paulo, o viver é Cristo, e a glória da salvação estava depositada na cruz: "Mas longe esteja de mim gloriar-me, senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo "(6.14).

Não só nos dias de Paulo, mas no decorrer da história da igreja, vemos inúmeras situações que tentam tornar desprezível o sacrifício de Cristo, valorizando as obras humanas. Destacamos algumas práticas históricas: penitências, indulgências etc.

2 - O EVANGELHO DO ESPÍRITO E NÃO DA CARNE

Um outro tema abordado nesta epístola, é o confronto entre a carne e o Espírito. Por diversas vezes, especialmente no final da epístola, Paulo evidencia o fato de que carne e Espírito são opostos entre si (5.16,17). Para Paulo, quando uma igreja menospreza a graça para viver debaixo da subserviência da lei, ela corre o risco de tornar-se carnal. Porém, o que vem a ser essa carne que milita contra o Espírito? O Dr. Russel Shedd destaca alguns dos usos da expressão "carne" na Bíblia:

• Carne física - como material que reveste corpo de homens e animais (Gn 40.19; Lv 6.27);
• Carne e relacionamentos interpessoais: carne como descendência humana (Rm 1.3); carne-como vínculo de comunhão no casamento (Gn 2.23) e relação sexual (I Co 6.16).
• Carne como natureza humana pecaminosa. Desejos e apetites que impulsionam contra Deus e que é própria de pecadores (5.16-21; Rm 8.7,8; I Co 3.1-4).

Para Paulo, o que os gálatas viviam era um evangelho carnal, e, portanto, seus resultados eram bastante perceptíveis. Ele destaca as obras da carne:
• Quanto à vida moral: prostituição, impureza e lascívia;
• Quanto à vida de adoração: idolatria e feitiçarias;
• Quanto à vida social: inimizades, porfias, ciúmes, iras, discórdias, dissensões, facções e inveja;

• Quanto à temperança: bebedices e glutonarias.
• Muitas igrejas estão marcadas por obras da carne: convivem com divisões e porfias diariamente, crentes embriagados e impuros, baixa qualidade de vida cristã, refletem esse estado de carnalidade que se contrapõe ao Espírito. O fruto do Espírito é destacável:
• Quanto à vida com Deus: amor, alegria e
• paz;
• Quanto à vida com o próximo: longanimidade, benignidade e bondade;
• Quanto à vida íntima: fidelidade, mansidão e domínio próprio.

Vemos, hoje, uma preocupação acentuada para uma luta contra os demônios e hostes do mal, como se todo o problema viesse deles. Não percebemos, entretanto, um esforço por uma luta contra a carnalidade reinante em muitas comunidades, cheias de partidarismos, ciúmes, bebedices, prostituições... Paulo recomenda: "Andai no Espírito e jamais satisfareis à concupiscência da carne" (5.16).

3 - O EVANGELHO DA LIBERDADE E NÃO DA ESCRAVIDÃO

O tema mais predominante desta epístola é o da liberdade. A preocupação paulina nessa exortação é refutar a argumentação judaizante, que concorria para um regresso ao velho estado de escravidão que a lei encerra.

Para Paulo, a lei não tem vida, e sim, leva à morte. A lei é senhora de um estado de escravidão ao pecado. Uma igreja legalista desconhece o que é a verdadeira liberdade dos filhos de Deus.

Por outro lado, os crentes em Cristo devem estar atentos para que não confundam liberdade com libertinagem, e não concedam ocasião à carne. Libertinagem é o uso descomedido da liberdade, sem padrões, sem princípios e sem responsabilidade.

O Espírito Santo produz liberdade em Cristo, responsabilidade, maturidade e santidade na vida do homem: "Para a liberdade foi que Cristo nos libertou" (5.1).

O que estava acontecendo na Galácia, vinha patrocinado por uma publicidade do Espírito. Todavia, Paulo afirma que não era o Espírito quem promovia as desavenças descritas em Gálatas 5.15. Era a carnalidade que lhes roubava a liberdade cristã: "Fostes chamados à liberdade: porém não useis da liberdade para dar ocasião à carne" (5.13).

Essa liberdade é fruto da graça de Deus, exemplificada alegoricamente por Paulo nas personagens Sara e Hagar (4.21-31). Ao final, ele conclui dizendo que os nascidos da graça, em um só Espírito, são filhos não da escravidão da lei, e sim, da liberdade dos filhos de Deus (4.31).

Autor: Rev. Carlos de Oliveira Orlandi Júnior 

Nenhum comentário:

Postar um comentário